Immanuel Kant (1724-1804) definiu, em 1783, no opúsculo intitulado Was ist Aufklärung? (O que é a Ilustração?), o que entendia por Iluminismo: “O que é a Ilustração? – perguntava o filósofo, e respondia: - É a saída do homem da sua menoridade, ou seja, da incapacidade de se servir do seu entendimento sem a orientação de outrem, menoridade da qual ele mesmo é responsável, pois a causa reside não na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem para se servir dele sem a tutela do outro. Sapere aude! Tem coragem para te servir do teu próprio entendimento. Essa é a divisa das Luzes!”
Os pensadores do século XVII desenvolveram as teses do Iluminismo por dois caminhos:
1) O Racionalismo (especialmente na França e na Alemanha). Os principais representantes desta corrente defendiam a possibilidade de conhecer a estrutura da realidade, a partir dos puros princípios do pensamento. A ordem lógica do mundo tornava possível o seu conhecimento dedutivo. O modelo consistia no método das matemáticas, que faz deduções a partir de alguns axiomas seguros. A realidade torna-se compreensível a partir de dois princípios (Descartes, 1596-1650), um princípio (Espinosa, 1632-1677) ou vários princípios substanciais (Leibniz, 1646-1716), e é totalmente organizada por Deus.
2) O Empirismo (especialmente na Inglaterra e, mais tarde, na França). A partir de Francis Bacon (1561-1626), passando por Thomas Hobbes (1558-1678), John Locke (1632-1704), George Berkeley (1685-1753) e chegando até David Hume (1711-1776), esta corrente considerava que o fundamento do conhecimento encontrava-se na experiência sensível. Somente são reais os objetos singulares e os fenômenos. O adequado uso da razão pode ordená-los e daí tirar, indutivamente, conclusões mais gerais. A eficácia deste princípio aplicava-se, antes de tudo, ao nascimento da ciência, mas também à formulação da filosofia do direito, bem como à filosofia política.
Somente na segunda metade do século XVIII, com Immanuel Kant (1724-1804), vamos encontrar uma adequada sistematização dos princípios do Iluminismo, superando (na perspectiva transcendental, sistematizada por ele na Crítica da Razão Pura, 1781), os princípios do Racionalismo e do Empirismo.